Estou aqui no meu canto oficial em Esplugues de Llobregat, o Express a Té, acompanhada de expresso, água e croissant. Outras sete pessoas leem o jornal, escrevem, papeiam com a dona do café e fumam…e como fumam!
Na sexta-feira a tal pinta no pescoço foi queimada com nitrogênio e outra “basocelular” foi retirada das minhas costas, o que me rendeu mais uma cicatriz, quatro pontos dessa vez. Além disso, terei que tomar um remédio de agora a setembro – segundo a médica é “um protetor solar interno”. Esse meu brilho da alma está afetando minhas células, uma loucura, haha. No mais, eu sei que vou sair dessa e não focar nisso vai fazer toda a diferença. Óbvio que foi sim um baque saber que a coisa se espalhou, mas meu corpo vai reagir – eu vou ser amiga dele, cuida-lo com mais carinho e ele vai responder com gratidão.
O maior inconveniente a curto prazo é que não posso pegar nenhum peso, o que significa não pegar a Aninha no colo. Mas nós damos nosso jeito.
Eu sempre fui o tipo de pessoa que justifiquei meus amores. “Eu amo fulano porque….”. Isso me rendeu ótimas amizades, porém deve ter me limitado a muitas surpresas. Em Londres aprendi a amar aqueles que não preenchiam os “padrões de qualidade segundo Andréa Vazquez”, o que me presenteou pessoas incríveis, ainda que muito diferentes de mim.
Com a Ana agora, eu aprendi mais – aprendi a amar alguém por motivo nenhum. Eu a amo, simples assim. Entrar no quarto dela de manhã e ela escancarar um sorrisão gratuito nåo tem preço. Ela sorri a troco de nada também, ela não precisa de um motivo pra me amar, pra amar acordar todos os dias, pra sorrir pra vida. Tudo no mundinho dela é bom, é mágico, é simples. No universo da minha querida, uma mão, um sorriso, um barulhinho, bastam para que ela seja feliz. Eu olho pra ela e penso a pessoinha incrível que ela se tornará um dia. Mas por agora, tudo é incerto. E eu amo essa menina, como amo.
